Psicoterapia - Psicoanalisi - Cultura e Arte Brasil - Italia

Curso Cesura e Hipnoanálise.

FP-PPD-0231

CURSO: CESURA E HIPNOANÁLISE

DESTINADO: estudantes e graduados em psicologia e medicina

LOCAL: São Paulo e Belo Horizonte (interessados entrar em contato).

INFORMAÇÕES: 31. 99983.4578

DATAS:

Fevereiro: 06, 07

Março: 05, 06

Abril: 02, 03

Maio: 07, 08

Junho: 04, 05

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

  • O ambiente privilegiado do sonho noturno. Um breve estudo à luz das contribuições das neurociências.
  • Looping on-line / off-line. Testando probabilísticas off-line.
  • No linear do onírico. Mauro Mancia , Neurocientista e Psicanalista da Sociedade Psicanalítica Italiana
  • Induzindo estados fisiológicos.
  • Cesura e Pré-Consciente.
  • Revisão dos conceitos de transferência/contratransferência e identificação projetiva.
  • Breve introdução no modelo de campo psicanalítico, com especial destaque dos conceitos de terceiro analítico e pensamento onírico de vigília.
  • A imaginação e os efeitos do sonhar acordado dentro dos achados neurocientificos.
  • O ócio neural.
  • A hipnose e a fase transicional de Winnicott.
  • O fenômeno Insight e o estudo do movimento do olhar.
  • Atenção flutuante e capacidade negativa.
  • Representação e figurabilidade.
  • Curso básico de hipnose clínica. Aulas teórica/prática.

 

A incorparação da hipnose ao tratamento psicanalítico/psicoterápico permite tocar as dimensões psicofisiológicas dos fenômemos inconscientes. Este estado neurofisiológico entre sono e vigília, diferente do sonho e do sono e também do pensamento intelectual de vigília, permite a mente encontrar-se em uma condição peculiar que, as intervenções proposta pelo terapeuta, estimulam associações seletivas de imagens. No momento em que as metáforas e intervenções criadas no encontro analítico são narradas pela dupla em estado de relaxamento e focalização, a relação toma aspectos mais propícios ao surgimento de imagens que alargam os vértices de compreensão e movimento dos personagens da cena analítica.      

Freud(1918): “A aplicação da nossa terapia a numerosos doentes nos obrigará, muitas vezes, a combinar o ouro da análise com o cobre da hipnose(sugestão), e a influência hipnótica poderia mesmo encontrar ai um lugar, como acontece no tratamento de numerosas neuroses de guerra”.

Stephen Guilligan: “A hipnose acorre quando a linguagem acorda algo além do intelecto e o corpo responde com uma resposta corporal profunda. Começa então o diálogo entre o eu-cognitivo e o eu-somático, mediatizado pelo terapeuta no campo relacional. Surge daí o terceiro self.

A chave é abrir-se para qualquer coisa que apareça. Com a mente relaxada, ativa-se o conhecimento intuitivo, que permite a diferenciação e a integração cognitiva e experiencial. A junção terapêutica seria a conversação intima entre a mente consciente do cliente e seu inconsciente”.

PSICANÁLISE

A palavra “Cesura” é um termo derivado da prosódia clássica, e significa um tipo específico de interrupção em uma linha ou verso, após o qual o verso continua. Em música, é uma pausa ou respiração em um ponto da divisão rítmica da melodia. Portanto, Cesura parece significar interrupção e continuidade. Freud fala da Cesura entre a vida pré- e pós-natal, provavelmente a separação mais dramática vivida por todos nos e Bion, psicanalista inglês, serve-se desse modelo para dizer sobre as interrupções, intervalos e descontinuidades durante toda a nossa vida. Temos Cesura do nascimento, do casamento, da separação, da morte, do envelhecer, consciente e inconsciente, sono e vigília, entre estados mentais, entre uma pessoa e outra.

Como podemos nos mover entre elas? Como ligar estados mentais que parecem intransponíveis e até mesmo inacessíveis? Como entrar em contato com estados mentais primitivos para gerar movimento e dar continuidade incorporando e integrando diferentes partes do self?.

Bion presume que, com o auxílio da imaginação especulativa e da conjectura imaginativa, é possível supor uma ligação entre as emoções dos diferentes estados.

A procura por tratamento psicológico se da quando o indivíduo necessita comunicar seu mundo interno e facilitar a comunicação entre partes separadas, dissociadas e encapsuladas do seu Self. Podemos entrar em contato com esse mundo através da função onírica. O movimento psíquico necessário à saúde é possível através do sonhar noturno e em vigília. O sonhar esta em atividade constante, dia e noite, criando assim a continuidade do trabalho mental, permitindo a elaboração e a transformação das experiências emocionais. O sonhar protege e separa o dormir e o acordar, ao mesmo tempo em que faz ponte entre esses dois estados de mente.

Podemos sonhar em estados diferentes, tais como, a rêverie, sonhar na contratransferência, sonhar em estado hipnoidal e usando a função imaginativa. Este estados oníricos nos permite penetrar a Cesura, atravessando e transpondo o hiato entre estados de mente diversos.

A capacidade mental de “sonhar” como uma experiência emocional, seja no estado de vigília ou no dormir transforma impressões sensoriais de uma experiência emocional em elementos tais como as imagens visuais, como sucede no sonho noturno.

Precisamos permitir mais espaços para esse estado mental do sonhar na sessão analítica.

Isso sugere uma mudança na técnica psicanalítica, da técnica analítica do hemisfério esquerdo para a técnica do hemisfério direito, sugere Grotestein. O lado esquerdo é responsável, em especial, por todos os aspectos da comunicação. Processa o que se ouve e também as informações escritas e a linguagem corporal. O direito, por sua vez, ocupa-se do material não verbal, processando imagens, melodias, entonações, modelos complexos como expressões faciais, informação sobre o espaço e a posição do próprio corpo. Se estivermos lendo uma poesia, o esquerdo analisa a seqüências das letras, ele as compõe de modo que formem palavras e frases segundo as regras lógicas da linguagem escrita, verifica se a gramática e a sintaxe fazem sentido e apreende o conteúdo concreto. Mas é o esquerdo que fará desse poema mais que uma sucessão de letras, conceitos e sentenças. Ele faz surgir imagens na mente e reconhece o significado metafórico mais geral. Bion sugere o “treinamento da intuição”, juntamente com o pensamento científico para se escutar o que esta no hiato, para além do que esta sendo dito. Podemos inferir que conhecimento científico mais intuição seria uma proposta que alinha um cérebro e duas mentes.

Intuição, diz Boris (1986), é um processo pelo qual uma segunda mente pode perceber algo que a primeira não consegue mais.

Assim, trabalhar na Cesura pode ser considerada uma obra sobre técnica em que Bion nos orienta quanto às formas de atravessar Cesuras. A possibilidade de ultrapassar as Cesuras, que separam os estados mentais, de maneira a entrar em contato com estados mentais impensáveis, com áreas psíquicas sem representação, com material psíquico reprimido e experiências não mentalizadas, material psíquico ainda sem sentido, é dos maiores desafios do trabalho clínico. Para ser capaz de entrar em contato com essas áreas, o analista deve ser capaz de pensamento imaginativo, de pensamento onírico de vigília.

Se fizermos uma viagem no tempo, encontraremos um Freud interessado pela telepatia, analisando exemplos de advinhação. Reexaminou a questão da telepatia em “sonho e ocultismo”. Se ocupou desse assunto em várias ocasiões. Para ele, o analista tinha contato com o inconsciente do paciente através do material associativo trazido por este. Foram alguns membros da Escola Húgara, Ferenczi, Hollos, Foder, Roheim, Balint, que prosseguiram o estudo dos fenômenos telepáticos e ao invés de pensa-los como obstáculos ao processo psicanalítico, cuidaram para que estes pudessem constituir um adjuntório. Os psicanalistas interessam-se cada vez mais por esses processos de comunicação afetiva, chamado hoje de empatia.

Segue um apanhado geral com o objetivo de mostrar a linha evolutiva de alguns aspectos teóricos da situação analítica e da hipnose clínica:

Freud interessou-se pela telepatia e se ocupou deste assunto em várias ocasiões, analisando exemplos de advinhação. Reexaminou a questão da telepatia em “sonho e ocultismo”. Para ele, o analista tinha contato com o inconsciente do paciente através do material associativo trazido por este. Menciona que a interpretação pressupõe uma receptividade especial, uma comunicação de inconsciente para inconsciente. O que não definiu foram os mecanismos psíquicos que regem essa comunicação Foram alguns membros da Escola Húgara, Ferenczi, Hollos, Foder, Roheim, Balint, que prosseguiram o estudo dos fenômenos telepáticos e ao invés de pensá-los como obstáculos ao processo psicanalítico, cuidaram para que estes pudessem constituir um adjuntório. Os psicanalistas interessam-se cada vez mais por esses processos de comunicação afetiva, chamado hoje de empatia.

Encontrar uma teoria que desse suporte a essa transmissão inconsciente das fantasias do paciente ao analista, ficou facilitado a partir de uma noção já disponível na psicanálise, o conceito de identificação projetiva introduzido por Melanie Klein e estudado por seus seguidores. Ele amplia a percepção sobre os processos mentais que agem na relação analítica.

Os processos projetivos, a partir de então, tomam espaço. A contratransferência passa a ser estudada e utilizada no conhecimento da situação analítica e assim o modelo clássico de observação é rompido e o analista é colocado em cena, contribuindo com a sua própria vida mental às ocorrências dentro da sessão. A contratransferência passa a ser encarada como a contrapartida da identificação projetiva na relação bipessoal analítica.

São nessas proposições que o conceito de Campo Analítico se constitui. A análise que se ocupava até então do âmbito intrapsíquico, volta-se para o contexto relacional, que passa a constituir-se num espaço gerador de experiência emocional da dupla, tomando a feição de um encontro entre intersubjetividades.

A área intermediária toma importância e, dois autores atuais se destacam: Thomas H. Ogden com seu conceito de terceiro analítico e Antonino Ferro com seu modelo narratológico de personagens em campo, a partir dos flashs ou pensamentos oníricos de vigília. Ambos ampliam o ângulo de observação do que ocorre no campo relacional. Segundo Ferro, as experiências emocionais geradas no encontro dão forma e dimensões inconscientes à relação, e o encontro analítico constitui-se num espaçõ gerador de uma nova história, cuja narrativa é sempre composta a quatro mãos e permeada pela atenção empática para as microtransformações do campo relacional.

Este apanhado mostra a linha evolutiva de alguns aspectos teóricos da situação analítica, partindo de Freud, passando por Klein e autores atuais como Ogden e Ferro.

HIPNOSE

Com a hipnose clínica se deu o mesmo. De Mesmer a Freud, passando por Ferenczi, Balint, Milton Erickson e seus seguidores, ela se depurou de tal maneira que deixa funcionar o que esta em jogo, indo muito além das sugestões imperativas usadas por Freud. Não se tem como meta mergulhar o paciente num estado hipnótico onde há perda da troca simbólica. O fator relacional é mantido e os fenômenos hipnóticos podem ser, até mesmo, obtidos no estado de vigília, numa conversa hipnótica.

A hipnose é uma forma especial de transferência que potencializa uma plasticidade psíquica e fisiológica, e a relação analista-analisando pode beneficiar-se da maneira mais intensa e envolvente com o mundo interno do analisando que é colocado em cena.

Com a hipnose permeando o Campo Relacional, pode-se aumentar a sensibilidade do par analítico em relação à atmosfera emocional que no momento do encontro analítico pode ser captada no campo e transformada através da atenção empática.

 

Voltar para o Topo
Enter your Infotext or Widgets here...